Destroços indicam possível desintegração de Airbus


Especialistas em aviação dizem não haver evidência de fogo ou explosão. Ao todo, 37 peças do avião foram encontradas no oceano.


Entre os 37 destroços do voo 447 encontrados pela Marinha no Oceano Atlântico, e apresentados pela primeira vez nesta sexta-feira (12), há peças praticamente intactas, como uma maleta laranja operacional, poltronas da tripulação e máscaras de oxigênio. Para o consultor e engenheiro aeronáutico americano Robert Ditchey, aliados ao estabilizador já recolhido, eles apontam para a "forte conclusão" de que o A330 se desintegrou no ar. "Não há nenhuma evidência de fogo ou explosão. Há mais chances de o avião ter se partido no ar."

Todas as peças de plástico encontradas, incluindo lonas e um pequeno pacote amarelo, permanecem intactas, sem deformações, indicando que não houve incêndio no local onde elas estavam guardadas.

A Aeronáutica, que apresentou os destroços, não fez comentários sobre os objetos recolhidos no oceano nem suposições sobre as condições em que foram encontrados os assentos dos comissários.

A avaliação unânime de oito especialistas ouvidos pela Folha é que as 37 peças e os 50 corpos resgatados ainda representam muito pouco para levar a conclusões sobre o acidente.

Parte deles, porém, avalia haver indícios de que a aeronave se despedaçou. Alguns veem semelhança com a queda do Boeing da Gol, em 2006, que se desintegrou no ar após colidir com um jato Legacy --foram achados destroços na mata num raio de até 20 quilômetros de distância uns dos outros.

"Se tivesse batido inteiro [no mar], com certeza o cone de cauda, o estabilizador vertical e horizontal estariam íntegros", afirma Roberto Peterka, ex-investigador de acidentes aéreos, lembrando que o estabilizador vertical do Airbus foi achado separado das outras partes.

As imagens dos destroços mostram que as necropsias não detectaram queimaduras nos corpos. Peritos acreditam que as mortes tenham sido provocadas por politraumatismo ocasionado pelo choque com a água em alta velocidade.O brigadeiro Ramon Borges, diretor-geral do Departamento de Controledo Espaço Aéreo(Decea), confirmou haver "possibilidades técnicas" de uma aeronave desintegrar-se parcialmente no ar.

"Se não há nada queimado e se os corpos encontrados representarem uma boa amostragem dos diferentes assentos, podemos, sim, eliminar a hipótese de uma explosão no ar", diz o especialista em aviação Respício do Espírito Santo, do Instituto Brasileiro de Estudos Estratégicos e de Políticas Públicas em Transporte Aéreo (Cepta). Mais cauteloso, o diretor técnico do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), comandante Ronaldo Jenkins, prefere esperar o encontro do "corpo" do avião para falar da desintegração, mas admite que não há indícios de explosão.

"Existe um número pequeno de explicações possíveis para o avião partir em pleno voo e uma dessas explicações é quando se tem uma perda de controle que leva a uma sobrecarga estrutural - quando as forças encontradas pelo avião são maiores do que o desenho do avião permite", observa Ditchey. Fotos do estabilizador vertical (peça ao qual está acoplado o leme) sugerem até agora que ela tenha sido arrancada.

Uma possibilidade para isso ocorrer é quando o avião atinge velocidade superior à suportada pela estrutura - quando isso ocorre, fissuras na fuselagem aparecem, transformam-se em buracos, despressurizam o avião e acabam por fazê-lo partir. Isso pode ter ocorrido, por exemplo, caso o piloto receba uma leitura errada da velocidade dos pitots e acelere.

Destroços já recolhidos do avião da Air France são exibidos em Recife

Sexta-feira, 12/06/2009
Num galpão da Aeronáutica estão os destroços do Airbus que já chegaram ao Recife. O material será levado para autoridades francesas, que investigam a queda do avião da Air France.


Fotos dos destroços

Fibra de carbono e seu possível papel no acidente ( em inglês )

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