Voando a 2 mil pés sobre Seattle, ficou muito fácil esquecer para que o B1-17 foi construído.
Encostando meu rosto contra o nariz de Plexiglas da aeronave , as águas serenas do Lake Washington, ficaram visíveis, logo abaixo, cativando minha atenção. Se não fosse pelo rugir dos quatros motores radiais Wright Cyclone de 1.200 HP, operando a toda potência, à minha retarguarda, eu teria esquecido que estava dentro de um avião.
Ao me desligar da visão abaixo, lembranças das missões mortais deste avião,povoaram minha mente: 13 metralhadoras ponto 50, continuam ali em suas posições originais; algumas bombas ´´ falsas´´ estavam ali na baia de bombas.
Difícil imaginar estar à bordo de um B-17 completamente armado, enfrentando caças hostis e um frio congelante , durante a 2º Guerra Mundial.
Aqueles dias, quando homens corajosos combatiam nos céus sobre o território inimigo, ficaram para trás; contudo, todos os anos, na primavera , alguns exemplares daqueles velhos aviões de guerra, ligam seus motores e dão início a uma série de voos de demonstração, para que fique provado que não esquecemos a missão que eles desempenharam. Eles visitam pequenos e grandes aeroportos, oferecem tours, passeios panorâmicos, ou seja, a chance de curtir um pouco da história em ação.
A presença dos velhos pássaros, atrai uma multidão muito diversificada. Famílias e veteranos, todos juntos, ficam en torno das cercas, pretendendo ter a melhor visão possível. Estar à bordo de uma Fortaleza Voadora é uma experiência inesquecível e aqueles que podem alivar suas carteiras em 400 dólares, acharão o investimento valer cada centavo.
O avião, embora considerado um ´´ pesado´´ na década de 40 do século passado, é pequeno em tamanho e com fuselagem bem magra. Se alguém fechasse os olhos, durante um voo e ignorasse o ruído dos motores radiais,podera até ser perdoado se pensasse estar voando em um avião comercial.
Embarca-se no avião, por meio de um acesso na parte de trás, próxima às posições dos artilheiros das ponto 50. As enormes janelas oferecem visual bastante amplo , em ambos os lados do avião,afora a diversão de mirar as agora silenciosas metralhadoras ponto 50.
O cockpit até que é espaçoso e os pilotos têm uma visão bem ampla da paissagem em torno do avião e é muito legal observar a tripulação em ação. Observando-se que o painel frontal não é exatamente o mesmo de 1945. Várias mudanças foram necessárias para que o avião pudesse voltar aos céus, incluindo-se a instalação de GSP e vários outros elementos tipicos de ´´ glass cokcpits´´.
Uma abertura no piso, entre os pilotos, leva até aos compartimentos de tiro e navegação. Com certeza, trata-se do melhor assento existente na aeronave, pois o nariz de Plexiglas, proporciona uma visao de quase 180º de tudo que estiver à frente. Apesar de melhor apreciado em voo, o compartimento também pode ser visitado pelo público, quando o avião está em demonstração estática. De qualquer forma, trata-se de uma experiência difícil de esquecer.
Histórias
Ao passo que voar no avião, fazer uma visita ao modelo estático ou mesmo assistir às exibições do outro lado da cerca, sejam experiências emocionais em si mesmas; a lenda da Fortaleza Voadora, não seria a mesma, se não fosse pelos milhares de tripulantes, mecânicos,e voluntários, entre outros, que trabalharam duro durante os dias de exibição.
Embora a quantidade de veteranos caia a cada ano, muitos deles ainda visitam os eventos para comtemplar novamente o avião no qual eles serviram durante a guerra e para lembrar de suas experiências de 65 anos atrás. Muitos trazem filhos e netos, e aproveitam para mostrar o avião e contar histórias. Outros vêm no lugar de veteranos que já não podem vir.
Enter Vicki Jung.
Vicki veio ao Boeing Field para voar no Liberty Belle,no lugar de seu pai, o 1º tenente Joel H Vicars Jr, que faleceu em 1972. Após gastar anos estudando as anotações de seu pai, à respeito da guerra, Vicki decidiu que era a hora de subir à bordo. ´´ Sente-se naquele assento e reflita sobre como deve ter sido´´, pensou ela. Ela levou um bloco de anotaçõe à bordo, durante o voo.
Apesar de a guerra nunca ter sido um tópico de discussão importante, enqanto ela era criança, ela se interessou muito pelo tema quando sua mãe começou a contar as histórias ocorridas com o pai.
o 1º tenente Joel H Vicars Jr,teve seu ingresso na então Força Aérea do Exército dos Estados Unidos, na primavera de 1942. Após frequentar a escola preparatória de artilheiros, em Deming, ele embarcou para a Inglaterra e lá serviu no Corpo Aéreo do Exército dos EUA, no Esquadrão de Bombardeio 524, Grupo 379 H. Ele voou vinte e cinco missões de ataque a Bremen, Alemanha, entre sua primeira em 16 de dezembro de 1943, até sua última missão em 9 de março de 1944 sobre Berlin.
Após completar sua tour de missões, ele declarou à imprensa que a sua 18º missão, foi a mais perigosa, pois durante ela, um par de artefatos de artilharia anti-aérea, foi parar dentro do compartimento de bombas, mas não explodiu.
o 1º tenente Joel H Vicars Jr, documentou todas as suas missões, com fotos ,matérias de jornais e notas pessoais adornando cada página. Ele inclusive, preservou o plano de voo original de sua última missão e que fora preenchido à mão, e também um mapa da Europa, detalhando rotas de fuga, que ele mantinha em sua jaqueta de serviço, caso o avião fosse abatido e ele sobrevivesse.
Fotos dos companheiros de armas e de amigos, estão presentes em todas as páginas e as notas contêm relatos de atos heróicos, de retornos dramáticos à base; histórias sobre feridos ou voos que nunca retornaram.
Vicki conseguiu manter contato com muitos daqueles homens, anotando suas histórias sobre as missões e sobre seu pai. O nome de seu pai, agora está gravado com tinta permanente, na principal porta de entrada traseira da Liberty Belle, junto com os nomes de dúzias de outros veteranos e parentes, objetivando homenagear os veteranos que voaram com avião.
A história do B-17 é impressionante e com a proximidade das comemorações de 75 anos de existência do avião, muitas relatos elogiosos serão escritos. Contudo,sem a história de homens como o o 1º tenente Vicars,o B-17 seria apenas mais um avião.
São as milhares de vidas que tiveram contato com aquele avião e o trabalho duro de historiadores e parentes, como Vicki, que deram vida ao avião atualmente e isto ajuda a manter a lenda da Fortaleza Voadora, em voo de cruzeiro.
Fonte: NYC AVIATION /Fotos: NYC AVIATION
Tradução: BGA/JACK



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