Lula fecha questão para a compra de 36 caças Rafale bem mais caros, e não teme retaliação dos EUA

Jorge Serrão

O chefão-em-comando Lula da Silva pode oficializar a qualquer momento (que lhe for mais conveniente) a sua decisão já tomada de comprar 36 caças franceses Rafale, gradualmente, para a renovação da frota da Força Aérea Brasileira. Lula prefere apostar nos benefícios de uma estratégia maior de defesa, no valor de bilhões de dólares, com a França. Além do avião, a indústria bélica francesa montará helicópteros e submarinos no Brasil.

A resolução final de $talinácio vazou nas atentas antenas parabólicas do Detrito Federal. A decisão final teria sido baseada em um “relatório” que lhe seria entregue pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, antes de partir para uma reunião da indústria bélica em Jerusalém, Israel. Respaldado por Jobim, Lula deixa claro a vários interlocutores que não teme retaliações políticas dos Estados Unidos, por optar pela parceria com a França.

Pelo acordo, os aviões começam a ser construídos a partir de 2013. Das 36 aeronaves que deverão ser vendidas na primeira etapa do projeto FX-2, as seis primeiras serão produzidas na França, quase que de forma integral com peças francesas. A partir da sétima unidade, os franceses prometem que a linha de montagem seria transferida ao Brasil. Aqui os Rafale seriam produzidos sob licença pela Embraer.

A Dassault têm 0,9% das ações da empresa brasileira. Os franceses acenam com benefícios e novos componentes técnicos para o projeto da Embraer de construir um avião de carga, o KC-390. No caso dos Rafale, tecnologias sensíveis, como os sistemas de comando de voo digitais (DFCS), softwares, sistemas de autoproteção por infravermelho, seriam repassadas. Parceiros da Dassault - a Thales e a Snecma – também repassariam ao Brasil os módulos das antenas ativas do sistema do Eletronic Scanning Radar e a cadeia de manutenção dos motores.

Assim que Lula confirmar o meganegócio, será a primeira venda internacional do Rafale. A venda ao Brasil é considerada fundamental para reerguer a Dassault Aviation – bastante afetada pela crise (da marolinha). A empresa é controlada pela EADS – que tem 46,32 por cento das ações, enquanto a holding familiar Marcel Dassault detém 50,55 por cento.

Até a lucrativa parceria com $talinácio, a Dassault não tinha conseguido vender seus caças fora da França. Perdeu para os americanos na Holanda em 2001, na Coreia do Sul em 2002, em Cingapura em 2005, e até no Marrocos (ex-colônia francesa) em 2007. A grande dúvida entre especialistas aeronáuticos é se o Rafale não é desnecessariamente potente e caro para as necessidades do Brasil.

Também não existe clareza sobre o preço de cada Rafale. Pode variar entre 64 milhões de euros e 70 milhões de euros, sem contar o custo do desenvolvimento do avião. Outras estimativas indicam um preço de 138 milhões de euros por aparelho. Comparado a aviões rivais, como o de fabricação sueca Gripen NG, da Saab, considerado cerca de 30 a 50 mais caro. O F-18, da Boeing, também seria mais barato que o Rafale.

O primeiro Rafale alçou vôo em 1996 e hoje ele está disponível em três versões. A Aeronáutica francesa começou a usar os Rafale em 2006, com atraso de 10 anos depois da concepção do protótipo. Até 2021, as Forças Armadas francesas terão 294 caças Rafale (234 da Aeronáutica e 60 da Marinha). O custo do programa Rafale, na França, era estimado em 39,6 bilhões de euros (valores de janeiro de 2008).


Fonte: ALERTA TOTAL - matéria publicada em 25.01.2010

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