
Até quinta, 44 corpos de vítimas do voo 447 foram resgatados.
Os navios que participam das buscas ao voo 447 seguem, nesta sexta-feira (12), para uma região onde foram avistados destroços que podem ser da aeronave da Air France, que caiu no domingo, dia 31, depois de decolar do Rio de Janeiro em direção a Paris. A informação foi dada pelo tenente-brigadeiro Ramon Borges Cardoso, do Departamento de Controle do Espaço Aéreo.
Sexta-feira, 12/06/2009
Os militares afirmam que não há confirmação de avistamento de outros corpos no mar, apenas destroços. Ainda não é possível fazer a identificação das peças do avião.
Os novos destroços avistados estão em águas brasileiras. Até a quinta-feira (11), 44 corpos haviam sido reitrados do mar. Não há informações de resgate de mais corpos. A aeronave partiu do Rio de Janeiro com 228 pessoas a bordo, incluindo passageiros e tripulantes.
Três parentes de vítimas do acidente chegaram ao Recife nesta madrugada. Elas devem acompanhar os trabalhos no Instituto Médico Legal. A assessoria da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco disse que as informações necessárias para identificação, como tatuagens e roupas que os passageiros usavam, já foram anotadas em relatórios da Polícia Federal, preenchidos no Rio de Janeiro.
Também nesta sexta, chegaram à capital pernambucana 37 peças catalogadas pela Marinha que foram recolhidas no mar. O material estava no navio Grajaú e foi levado até o continente por uma aeronave C-130, de acordo com Cardoso.
Os destroços devem ser analisados por técnicos franceses, que são responsáveis pelas investigações sobre as causas do acidente.
Buscas
Duas aeronaves francesas que participam da operação de buscas estão paradas nesta sexta, para manutenção que já estava prevista. Cardoso diz que elas devem voltar ao trabalho de resgate no sábado (13).
Segundo o vice-almirante Edson Lawrence, a Fragata Constituição, que está navegando em direção a Fernando de Noronha com três corpos de vítimas retirados do mar, será substituída pela Corveta Jaceguai na operação de buscas.
Participam dos trabalhos 840 militares da Aeronáutica e da Marinha brasileiras.
Leia nota divulgada pela Marinha e pela Aeronáutica, nesta manhã, na íntegra:
"O Comando da Marinha e o Comando da Aeronáutica informam que, nas últimas horas, aeronaves de busca visual, deslocadas para oeste dos pontos de concentração inicial, conseguiram avistar diversos destroços, confirmando as previsões do planejamento de buscas em relação ao movimento das correntes marítimas. Navios já foram direcionados para o resgate nessas áreas.
A meteorologia indica uma acentuada piora das condições de tempo e visibilidade na área de buscas, o que poderá comprometer os trabalhos. Mesmo com as limitações meteorológicas, as buscas continuarão a ser realizadas, sempre nas áreas que ofereçam condições de voo visual a baixa altura. As condições do mar são favoráveis, com ondas de até um metro de altura.
O efetivo militar, os meios empregados, assim como a conduta adotada para as Operações de Busca, permanecem sem alteração em relação às informações prestadas anteriormente."
Airbus diz que seus aviões são seguros e pede cautela sobre investigação
O diretor-geral da Airbus, Fabrice Brégier, disse que seus aviões são "seguros", após as dúvidas surgidas sobre o possível envolvimento dos sensores de velocidade no acidente com o avião que fazia o voo 447 da Air France e caiu no oceano Atlântico, enquanto pediu cautela até que se conheçam os motivos.
"Nossos aviões são seguros. Afirmamos isso, afirma a Agência Europeia de Segurança Aérea (Easa), afirmam nossos clientes", reiterou Brégier, em entrevista publicada hoje pelo jornal "La Dépêche du Midi".
O número dois do construtor europeu considerou "irresponsáveis" os artigos publicados na França que indicam falhas nos sensores de velocidade como causa do acidente.
"Neste estado da investigação, não há qualquer relação entre o acidente do avião da Air France e qualquer debilidade de navegação do aparelho", disse.
Essa reação, a primeira de um diretor da Airbus, está alinhada com a do Escritório de Investigações e Análises (BEA, em francês), responsável pela investigação, e pela Air France, companhia aérea proprietária do avião.
Enquanto o BEA reiterou que "não há qualquer relação estabelecida entre os sensores e as causas do acidente", o diretor-executivo da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, disse não estar "convencido" de que essa falha tenha provocado a catástrofe.
Brégier reconheceu que o avião registrou "incoerências na velocidade medida", mas indicou que "resta agora definir o motivo".
O diretor da Airbus disse que as falhas estão previstas nos manuais de voo dos aviões e precisou que "os aviões estão certificados para estas circunstâncias".
"Por isso, lembramos às companhias aéreas os procedimentos a serem aplicados se estes incidentes aparecerem. Repito, o problema dos sensores não pressagia as causas reais do acidente", disse.
Lembrou que, atualmente, há 600 aviões A330 similares ao acidentado no Atlântico que somam 13 milhões de horas de voo, e que o do AF447 foi "o primeiro acidente mortal" deste tipo de aparelhos em operação.
Brégier disse que, caso a investigação mostre a implicação dos dispositivos de velocidade, tomarão "as medidas necessárias".
Quanto à decisão de algumas companhias de trocá-los, o diretor-geral da Airbus disse que é uma decisão tomada de forma voluntária "sob a pressão dos pilotos ou da opinião pública".
Indicou que a Airbus está colaborando com o BEA para tentar definir a causa do acidente e destacou que "a descoberta das caixas-pretas permitirá esclarecer o que aconteceu com o voo da Air France".
Caso não sejam encontradas, Brégier disse que "será preciso estudar o que se tiver, os destroços do aparelho darão informação".
Fonte: G1- Globo News
Nenhum comentário:
Postar um comentário